O que dizem os estudos atuais sobre o autismo?

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1 – O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento que dificulta comportamentos adaptativos ao ambiente físico e social. É caracterizado por dificuldades nas relações e comunicação social bem como pelo comportamento e os interesses restritos e repetitivos.

2 – A abordagem atual é dimensional, entendendo os transtornos dentro de um espectro de distúrbios (TEA – Transtorno do Espectro Autista) que variam num continuum , do mais leve ao mais severo, mais ou menos associados a deficiência intelectual ou outras patologias. 

3 – Não existe atualmente um biomarcador identificado. O diagnóstico permanece ligado ao aparecimento de sinais comportamentais que começam a ocorrer durante os dois primeiros anos de vida. Um aumento do perímetro craniano também tem sido observado em crianças de 2 anos.

4 – Se antes era considerado uma patologia rara, estudos epidemiológicos recentes mostram que a prevalência de 1 nascimento para cada 2000 em 19060 aumentou para 1 em cada 150 e ainda mais recentemente 1 para cada 100. Os meninos são afetados 4 x mais do que as meninas.

5 – O aspecto mais aparente no TEA é o transtorno de comunicação. A linguagem geralmente é afetada e nas formas mais graves vem com atraso e pode até mesmo ser ausente. Podem aparecer anomalias como a ecolalia (repetição da fala de outra pessoa) ou dificuldades de compreensão. Nas formas mais leves, a linguagem pode se desenvolver corretamente do ponto de vista formal, porém, pouco adaptada a situações sociais.

6 – As pessoas com TEA apresentam uma forma de atenção e processsamento de informações diferente, orientadas para o detalhe. Isso dificulta que compreendam as situações em toda a sua abrangência. Isso impacta muito a inserção do autista nas situações sociais que dependem muito da leitura do contexto.

7 – A propriocepção (teoria da mente – Piaget), que se estabelece em torno dos 4 anos, nos permite inferir os estados mentais de outras pessoas e orientar nossa conduta em função deles. No autismo, o déficit na teoria da mente, dificulta a atribuição de sentimento e pensamento ao outro e o acesso às sutilezas das relações.

8 – As funções executivas tb são afetadas. Permitem o controle das ações, flexibilidade, adaptar comportamentos às variações de contexto, planejando e inibindo impulsos. As crianças com TEA apresentam dificuldades de abstração, tendência à perseverança, hiper-seletividade de informações, dificuldade de planejamento.

9 – A participação de fatores genéticos no desenvolvimento do TEA agora é conhecida, porém, continua sendo difícil identificar os genes responsáveis pelos sintomas, pois numerosos genes parecem estar envolvidos de forma mais ou menos direta. Modelos animais vêm sendo concebidos na busca de tratamentos que possam restaurar os processos neurobiológicos importantes ao desenvolvimento da comunicação.

No rastreio do autismo a preocupação dos pais é o 1o. alerta. Podemos detectar um atraso ou uma disfunção e buscar ajuda de um profissional da 1a. infância pra tirar nossas dúvidas. Atualmente os sinais de autismo são + comumente percebidos entre 2 e 3 anos. No entanto, é possível identificar sinais até aos 12 meses de idade. 

Em cças com – de 3 anos, os sinais de alerta identificados são:

  • uso inadequado da linguagem;
  • falta de resposta ao chamado do primeiro nome;
  • déficit na comunicação não verbal;
  • falta de imitação na socialização;
  • ausência do comportamento de mostrar objetos aos adultos;
  • falta de interesse por outras crianças ou interesses incomuns;
  • dificuldade de reconhecer as emoções de outros;
  • restrição de jogos imaginativos;
  • falta de iniciação de jogos simples;
  • preferência por atividades solitárias;
  • indiferença ou familiaridade excessiva com adultos;
  • hipersensibilidade tátil ou auditiva
  • maneirismos motores;
  • balanços
  • agressividade e atitude de oposição;
  • atividades repetitivas com objetos.

Antes dos 2 anos, os sinais retratados são:

  • passividade, pobreza de reatividade/sensibilidade social;
  • dificuldade de fixação do olhar;
  • dificuldade de atenção conjunta;
  • atraso de linguagem;
  • falta de apontar e designar objetos;
  • falta de brincadeira de faz-de-conta;
  • falta de balbucios;
  • falta de apontar ou outros gestos sociais na idade de 12 meses
  • ausência de palavras aos 18 meses 
  • não associação de palavras aos 24 meses

O diagnóstico sendo cada vez + cedo permite o estabelecimento de intervenções favoráveis à melhoria no desenvolvimento. Os resultados positivos são geralmente registrados em 1 ou 2 anos de intervenção intensiva. 

Qdo a estimulação ocorre entre 2 e 4 anos, o benefício é significativamente > do que qdo o trabalho é realizado em idade + avançada, sendo a intensidade tb um fator determinante. Qdo um estímulo específico é realizado pelo menos durante 15h/semana, com abordagem personalizada, por um período de 1 a 2 anos ou +, o progresso é notável. 

É possível utilizar pares não-autistas e os pais desde q recebam formação adequada a fim de prolongar a estimulação em ambientes naturais da vida da criança. Esta abordagem tem prioridade, exigindo forte envolvimento de todos do seu ambiente.

Apesar da possibilidade de reabilitação através de intervenções, o estilo autista persiste parcialmente na > parte dos casos e estratégias educacionais específicas são úteis na sequência do desenvolvimento da cça para apoiá-la em sua qualidade de vida futura.

As intervenções nos 1os. anos de vida são altamente recomendadas nos casos de TEA uma vez que permitem o estabelecimento + rápido da comunicação social e contribuem pra melhores condições socioeconômicas do indivíduo, da família e da sociedade.

 

Texto adaptado do artigo: Novas abordagens sobre o autismo, Bernadette Rogé, Neurociência e Educação na Primeira Infância: progressos e obstáculos.

  

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