Danos emocionais causados por castigos e agressões sofridos na infância

khalaó | Blogue

Muita gente ainda tem dúvida sobre os danos emocionais causados pelos castigos físicos e agressões de todos os tipos perpetrados contra as crianças. A crença de que uma tapinha, um beliscão, uma chinelada não fazem nada porque “eu levei um monte e tô aqui, não morri” ainda imperam. Então, trago aqui a transcrição de um trecho de uma publicação recente do Colegio Profesional de Psicologia de Aragón, Espanha, “Guía de Intervención Multidisciplinar para niños, niñas y adolescentes con Trauma Psicológico”. 

Em nível cerebral sabemos que as estruturas responsáveis por regular emoções, a memória e o comportamento se desenvolvem rapidamente nos primeiros anos de vida e são muito sensíveis ao dano causado por efeitos do estresse emocional ou físico, incluindo a negligência (Van der Kolk, 2002; Van der Kolk, 2003). Nos meninos e meninas com experiência de negligência social precoce também podem ocorrer atrasos em distintas áreas do desenvolvimento como a cognição e a linguagem (APA, 2013). Algumas dessas estruturas se mostraram mais contraídas nas pessoas sobreviventes de abuso e maltrato grave e contínuo, assim como uma atividade cerebral irregular (Bergherr, Bremner, Southwick, Charney e Krystal, 1997; Southwick et al., 1999).

O sistema hipotálamo-hipofiso-suprarrenal também se encontra alterado (Serra, 2003); as pessoas que experimentaram trauma frequentemente têm níveis anormais de hormônios de estresse (Carpenter, Shattuck, Tyrka, Geracioti e Price, 2011) e as partes do cérebro responsáveis por manejar o estresse podem não funcionar tão bem como nas pessoas que não foram expostas a trauma, provocando dificuldades no âmbito psicossocial, emocional, relacional e nas funções cognitiva e da neurogênese (Sauro et al., 2008). 

Traduzido de “Guía de Intervención Multidisciplinar para niños, niñas y adolescentes con Trauma Psicológico – Información, psicoeducación, valoración y derivación en Trauma Psicológico”.

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